Estreia da segunda temporada de High Potential: O preocupante desrespeito de Morgan pelo procedimento policial

A estreia da segunda temporada de High Potential reforça o hábito mais preocupante de Morgan

A estreia da segunda temporada de High Potential retoma exatamente de onde o final da primeira temporada parou, literalmente apenas alguns dias depois. Morgan Guillory, interpretada por Kaitlin Olson, está mais assombrada pelo Game Maker do final da primeira temporada do que o restante da Divisão de Crimes Maiores, o que acaba comprometendo seu desempenho logo no início.

A alta inteligência de Morgan e sua visão única foram os motivos para sua entrada na Divisão de Crimes Maiores. Sua relação com o detetive Karadec, seu parceiro, exemplifica o clássico conflito entre quem quebra regras e quem as cumpre – afinal, High Potential reforça que Morgan não é uma policial, mas apenas uma consultora.

No entanto, o flagrante desrespeito de Morgan pelo processo legal, evidenciado na estreia da segunda temporada, é utilizado para o humor de maneira que beira o impróprio, algo que até consta em material promocional. A emissora caminha por uma linha delicada ao tratar de forma leve aquela área cinzenta do trabalho policial.

Karadec fala o que pensa – Morgan está esperando que ele saia para poder fazer algo ilegal

A tensão entre Morgan e Karadec na primeira temporada girava, em grande parte, em torno da persistente recusa de Morgan em seguir as regras – como a discussão constante sobre o uso de luvas nas cenas de crime. Morgan aceitou este trabalho para poder dormir tranquila à noite, preocupando-se apenas em obter a resposta correta.

Por sua vez, a vasta experiência de Karadec lhe ensinou que a forma de se obter uma resposta é igualmente importante perante um tribunal. High Potential transita entre o drama cômico e o procedural, precisando equilibrar a excentricidade de Morgan com a seriedade que a função exige.

Karadec [em pé]: Você está esperando que eu saia para que você possa vasculhar o esconderijo de Jason sem um mandado, não é?

Morgan [depois de uma longa pausa]: … sim.

High Potential precisa transitar entre diferentes gêneros – de comédia familiar a drama policial e mistério – mas Morgan não age por desespero em superar o Game Maker; ela simplesmente gosta de fuçar. Transformar sua interação com Karadec em motivo de riso acaba sendo uma abordagem problemática.

Psych poderia se safar por flexibilizar as regras, mas High Potential não consegue

Psych tinha uma desculpa “fantasiosa” e existia em outra época

Psych e High Potential compartilham certas similaridades – Shawn Spencer atuava como consultor para o Departamento de Polícia de Santa Barbara em Psych – mas Shawn tinha muito mais liberdade em suas atitudes, já que toda a delegacia acreditava em seus supostos poderes psíquicos. Além disso, Psych estreou há quase 20 anos.

A decisão de Morgan de fuçar mesmo após múltiplos avisos soa menos como uma piada e mais como algo preocupante, principalmente quando se observa que suas intuições nem sempre estão corretas. Na estreia, a própria delegacia passa a questionar seu modo de tomar decisões.

High Potential não precisa seguir à risca os procedimentos legais, mas enfatizar esse aspecto de maneira cômica pende para o exagero, em um episódio que, de outra forma, carregaria grande peso. Ao aprovar indiretamente a busca ilegal de Morgan, Karadec pode estar, inadvertidamente, se contaminando com esse comportamento.

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