Vamos encarar: Nobody 2 é o prego no caixão da fórmula de ação favorita de Hollywood
Nobody 2 é apenas o filme mais recente do conceito de “mercenário cotidiano” popularizado na última década por John Wick, o que pode explicar a ausência de um grande diferencial de venda. Até mesmo a série que ajudou a colocar essa ideia no mapa vem apresentando retornos cada vez menores, e o mesmo acontece com a sequência de Nobody. Além disso, há o impacto do streaming e sua influência na ida ao cinema.
Nobody 2 teve uma estreia razoável
Nobody 2 já mostra indícios de sucesso no bilheterio, mas com uma ressalva. O primeiro filme arrecadou US$ 57 milhões com um orçamento de US$ 16 milhões – uma bilheteria acima de três vezes o investimento – apoio que foi reforçado pelo sucesso no streaming e no vídeo sob demanda. O segundo filme conta com um orçamento um pouco maior, de US$ 25 milhões, o que ainda é considerado respeitável e modesto. Em seu final de semana de estreia, Nobody 2 faturou US$ 14 milhões globalmente. É provável que os custos de produção já sejam recuperados até o final do segundo final de semana, mas o desempenho após isso permanece incerto, pois os filmes geralmente precisam faturar cerca de 2,5 vezes o orçamento de produção para começar a dar lucro, levando em conta marketing e outros custos.
Nobody 2 é o filme perfeito para streaming – e isso é um problema
O público de cinema tem ignorado cada vez mais os lançamentos teatrais que parecem filmes feitos para streaming, principalmente quando sabem que esses títulos estarão disponíveis em grandes plataformas de streaming em pouco tempo. O recente Nobody 2 dificilmente cria a sensação de ser imperdível na tela grande. Embora a ação seja boa, falta aquele nível de espetáculo necessário para uma experiência verdadeiramente cinematográfica. Cabe lembrar que esse filme se encaixa em um subgênero de ação – desde o final dos anos 1990 e início dos anos 2000, conhecido por ser uma produção de pequena escala lançada diretamente para vídeo – e o streaming vem reproduzindo, de certa forma, essa mesma característica. As conotações que o primeiro Nobody tinha em relação ao streaming possivelmente acentuaram essa percepção, levando alguns espectadores que não o assistiram nos cinemas a considerá-lo um filme digital. Além disso, a ausência de uma campanha de marketing impactante agravou ainda mais as perspectivas bilheteriais. Diante disso, torna-se difícil imaginar uma terceira parte na série protagonizada por Bob Odenkirk, o que pode ser algo bem-vindo considerando a tendência de declínio dos filmes de ação dessa natureza.
O mais recente imitador de John Wick pode ser o último
Os filmes de ação lançados diretamente para vídeo de antigamente eram, geralmente, inferiores (às vezes muito inferiores) a grandes franquias como Jurassic Park, Die Hard e Missão: Impossível, dispensando, assim, o espetáculo de uma tela grande. Essa é também a crítica a filmes como Novocaine, Monkey Man e Nobody 2, que parecem pequenos frente aos grandes lançamentos de verão. Outro ponto a ser destacado é a curta duração do filme – Nobody 2 tem menos de uma hora e meia –, o que reforça a sensação de “esperar pelo streaming” e contribui para que a aura de John Wick se torne cansativa para o público. Os acontecimentos de John Wick: Capítulo 4 (2023) deram a impressão de que a história dessa franquia havia se encerrado, mesmo com as conversas sobre um possível quinto filme. Com isso, os derivados da saga parecem forçados para um público que já acredita no fim da era John Wick, e o mercado de ação pode precisar de um novo nicho para filmes não pertencentes a franquias nos próximos anos.
Nobody 2 já está em exibição nos cinemas.

Data de Lançamento: 15 de agosto de 2025
Duração: 89 minutos
Direção: Timo Tjahjanto
Roteiristas: Bob Odenkirk, Derek Kolstad, Aaron Rabin, Umair Aleem
Produtores: David Leitch, Kelly McCormick, Braden Aftergood
Elenco
- Bob Odenkirk / Hutch Mansell
- Connie Nielsen / Becca Mansell
- Christopher Lloyd / David Mansell
- Jimmi Simpson – personagem coadjuvante

Adriana Kvits é uma amante fervorosa da cultura japonesa, com um profundo amor por animes e mangás. Sua dedicação em explorar e compartilhar as complexidades dessas narrativas a torna uma voz apaixonada e uma guia confiável no emocionante mundo otaku.






