Resenha de Don’t Tell Larry: Essa comédia sombria desperdiça vários atores excepcionais com piadas superficiais e uma história decepcionante

Susan (Patty Guggenheim) estava prestes a ser promovida antes da aposentadoria de seu chefe, mas um novo contratado peculiar acaba tirando seu foco. Em seguida, uma série de eventos cada vez mais estranhos transforma praticamente todos os personagens em vilões – até que a narrativa chega a um abrupto fim. Enquanto isso, Larry (Kiel Kennedy), o novato, parece guardar segredos obscuros.

Mesmo uma Comédia Negra Precisa de um Herói para se Seguir

Filmes independentes podem – e de fato costumam – ser experimentais em suas abordagens narrativas. Faz todo sentido correr riscos, ousar nas escolhas e inovar. Entretanto, há aspectos fundamentais na construção de uma boa história, entre os quais se destaca a necessidade de um protagonista. Esse personagem não precisa ser necessariamente o mocinho, e algumas produções ampliam esse papel para um grupo inteiro; o mínimo é que haja algum carisma capaz de envolver o público.

A ideia apresentada lembra mais a situação de uma mulher preterida para oportunidades que conquistou, que acaba sofrendo um colapso enquanto conceitos de karma e influências astrológicas são levados ao extremo. O grande problema de ter um elenco repleto de personagens desagradáveis é que não há ninguém para torcer: não há vencedores nem perdedores, o que torna os sucessos e fracassos na trama menos impactantes. Embora Susan seja a protagonista da história, sua personalidade repulsiva dificulta qualquer identificação ou interesse por sua jornada. A premissa prometia muito e poderia ter se transformado em um enredo envolvente, mas carece de diversão, profundidade e personagens cativantes.

A Qualidade de Produção de “Don’t Tell Larry” Salva o Dia

A produção conta também com um humor negro e um tanto bobo, que remete a uma versão mais sombria do clássico Naked Gun. “Don’t Tell Larry” possui toda a estrutura necessária para uma comédia negra instigante, com riscos altos e reviravoltas surpreendentes. Porém, a maior crítica recai sobre o desenvolvimento dos personagens e a ausência de um protagonista com quem o público realmente se identifique. Ainda assim, é um filme que consegue se manter interessante e avançar consideravelmente em direção aos seus objetivos.

Patty Guggenheim se destaca ao interpretar a antagonista protagonista, Susan, enquanto Kiel Kennedy rouba a cena como Larry, graças aos seus maneirismos inquietantes, diálogos e postura marcantes. O filme aposta fortemente nessa atmosfera para tentar costurar uma narrativa coesa, e seu desfecho consegue reunir diversos elementos apresentados ao longo da história. No entanto, no fim das contas, tudo parece ter pouca relevância.

“Don’t Tell Larry” será lançado em exibição limitada a partir de 20 de junho de 2025.

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