Por que Eddington é tão controverso

Aviso: Contém SPOILERS de Eddington!

A carreira de Ari Aster decolou com o lançamento de Hereditary (2018), considerado por muitos como um dos filmes de terror mais assustadores de todos os tempos. Midsommar consolidou Aster como um ícone do terror, levando ao anúncio de Beau is Afraid. Este bizarro filme de 2023 representou uma mudança drástica de direção para o autor, e Eddington tem se mostrado igualmente divisivo.

Eddington conta a história de Joe Cross, interpretado por Joaquin Phoenix, um xerife do Texas que entra em confronto com o prefeito de Eddington, Texas, Ted Garcia, vivido por Pedro Pascal. Em meio à pandemia de COVID-19, o xerife decide concorrer à prefeitura, promovendo um intenso embate entre os dois candidatos ao longo da eleição.

Eddington aborda a política contemporânea ao longo de toda a história

A história se passa em maio de 2020

Uma das razões pelas quais Eddington é considerado intrinsecamente controverso é o fato de o filme abordar a política contemporânea em toda a sua trama. A obra se passa durante a pandemia de COVID-19, com personagens debatendo o uso de máscaras, a eficácia das vacinas e até teorias conspiratórias sobre a doença, nas quais alguns acreditavam na vida real.

O assassinato de George Floyd é abordado de forma proeminente em Eddington, funcionando como um dos incidentes que impulsionam a narrativa. Os protestos do Black Lives Matter invadem a cidade, e o xerife Cross, juntamente com seus auxiliares, precisa lidar com os manifestantes. O filme também apresenta enredos que incluem o ANTIFA, o Blackout Tuesday e um policial negro que se vê dividido entre dois mundos.

A abordagem do caso George Floyd é, sem dúvida, a parte mais controversa de Eddington. Alguns espectadores criticaram o uso, em meio a uma comédia negra, do assassinato de uma pessoa real pelas mãos da polícia como ponto de partida para a narrativa satírica. Enquanto alguns consideram essa escolha insensível, outros defendem que o tema foi tratado com a devida sensibilidade e era relevante para o período retratado.

O personagem de Joaquin Phoenix é um anti-mascarista vivendo durante a pandemia de COVID-19

Será que ele representa as visões de Ari Aster?

Cross também se envolve em um confronto violento com um morador de rua, agride os manifestantes, viola direitos garantidos pela Primeira Emenda e, eventualmente, se torna um assassino. É inegável que Cross é um personagem antipático; porém, por ser o protagonista, alguns espectadores supuseram que ele deveria ser mais simpático ou mesmo representar os pontos de vista do diretor.

Eddington zomba de todos, em vez de tomar partido

Ou estaria preocupado com algo maior?

Um dos principais pontos de discórdia a respeito da natureza controversa de Eddington relaciona-se com as supostas posições de Ari Aster sobre os temas abordados pelo filme. Embora o diretor não tenha divulgado suas opiniões pessoais sobre as questões políticas apresentadas, parte do público acredita que seus sentimentos podem ser deduzidos a partir do conteúdo da obra.

Assim, alguns classificam Eddington como um filme radicalmente centrista. Críticos afirmam que a produção não assume posições firmes, preferindo usar o retrospecto para ridicularizar todas as posturas assumidas durante o ano de 2020 – uma crítica semelhante àquela feita a projetos como South Park, com os quais o filme foi, por vezes, desfavoravelmente comparado.

No entanto, outros argumentam que 2020 é apenas o pano de fundo para um comentário político mais profundo. Teorizou-se que Eddington trata, na verdade, de temas como autonomia, colonialismo e outros assuntos relevantes. Há muito a se explorar nos diversos níveis temáticos do filme, permitindo interpretá-lo tanto como uma sátira centrista relutante em se posicionar quanto como uma obra grandiosa que se preocupa com questões para além da pandemia.

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