Mesmo os fãs mais obstinados de Sonic podem não conhecer a complicada história da série desde a era dos anos 90

Mesmo os fãs mais intransigentes de Sonic podem não conhecer a história complicada da série dos anos 90

Em 1991, a Sega não apenas encontrou ouro com o lançamento do seu maior jogo até então; eles abriram as portas para uma verdadeira mina de ouro. Sonic the Hedgehog colocou o Genesis no mapa e iniciou as Consolas Wars entre Sega e Nintendo, estabelecendo a empresa como uma das grandes referências no entretenimento dos videogames. Naturalmente, isso significava que a Sega precisaria investir absolutamente tudo em Sonic, uma dedicação que veio a definir o mercado de videogames dos anos 90.

O Sonic the Hedgehog Original Era Diferente de Tudo

Sega decolou em velocidades supersônicas com isso

Criado por Naoto Ohshima e Yuji Naka, Sonic the Hedgehog apresentou aos jogadores o ouriço azul enquanto ele corria pelo planeta Mobius para frustrar os planos do pérfido Dr. Robotnik, que sequestrava a fauna local e devastava os recursos naturais em busca do poder das sete Chaos Emeralds. Com o destino de todo um planeta sobre seus ombros azuis, Sonic se propôs a libertar o máximo de criaturas possível, coletar as Chaos Emeralds e derrotar o vilão.

A tela de abertura do jogo já deixava claro o que os jogadores encontrariam: uma introdução impactante com Sonic surgindo de um enorme logo, exibindo um sorriso maroto e apontando para o jogador, como se dissesse “você nem sabe no que está se metendo”. Longe de ser um personagem caricatural, Sonic exalava atitude e estilo, e com cenários repletos de água azul cintilante e montanhas imponentes, era possível perceber que aquele mundo seria vasto e repleto de desafios.

Explorar cada canto dos seus níveis enormes, repletos de áreas verticais e horizontais cheias de recompensas, tornou a experiência ainda mais gratificante para os jogadores habilidosos. Os estágios bônus, surreais e oníricos – em que cada cenário escondia uma Chaos Emerald – eram a cereja de um delicioso bolo de 16 bits, embalado por uma das trilhas sonoras mais marcantes de todos os tempos e um gameplay que, desde então, se tornou referência em qualidade.

Sonic the Hedgehog 2 Foi Maior, Mais Barulhento e Muito Mais Rápido

Mas Tails é a Verdadeira Estrela

A pressão por replicar o sucesso do primeiro jogo foi enorme. Em 1990, um funcionário da Sega, Mark Cerny, criou o Sega Technical Institute (STI), reunindo desenvolvedores japoneses e americanos com o objetivo de unir os melhores talentos e criar os melhores jogos para a empresa. Após a saída de Yuji Naka da Sega com o lançamento do primeiro Sonic, sua adesão ao STI foi um reforço essencial para o desenvolvimento de Sonic 2.

O STI levou o desenvolvimento de Sonic 2 muito a sério, planejando personagens, níveis e a história do jogo em detalhes minuciosos. Entre as ideias descartadas durante essa fase, estava uma trama envolvendo viagem no tempo, na qual Sonic exploraria um mundo dominado por Robotnik – ideia que, embora rejeitada, deixou sua marca em alguns elementos do jogo, como Hill Top Zone, Chemical Plant Zone e Casino Night Zone. Fatos como o corte da Hidden Palace Zone, que já havia sido amplamente divulgada, ressaltam os desafios e as mudanças ocorridas durante o desenvolvimento.

O processo rigoroso de verificação de bugs da Sega of America garantiu que Sonic 2 chegasse às lojas a tempo para a temporada de festas de 1992, conquistando tanto a crítica quanto o público, e se tornando um sucesso estrondoso.

Sonic the Hedgehog 3 Foi Ainda Mais Ambicioso e Maior que Sonic 2

Além disso, gerou alguns spin-offs bem legais

O sucesso sem precedentes de Sonic 2 catapultou o ouriço azul ao estrelato absoluto. As dúvidas sobre a viabilidade de Sonic como personagem foram totalmente dissipadas, e ele se tornou o mascote oficial da Sega, contrastando fortemente com o sorriso afável de Mario. A mania pelo Sonic explodiu durante os anos 90, dando origem a duas séries animadas e a uma série de quadrinhos em cores.

Essa explosão de sucesso dividiu o STI, com a equipe japonesa trabalhando em Sonic 3 e a americana desenvolvendo o spin-off Sonic Spinball – um título que, apesar de suas falhas e do cronograma apertado, conseguiu agradar aos fãs com sua proposta única de colocar Sonic em uma ilha temática de fliperama.

A equipe japonesa do STI desejava expandir ainda mais o universo de Sonic, introduzindo cenas cinemáticas que ajudassem a contar a história. Foi nesse contexto que Knuckles the Echidna fez sua primeira aparição – o robusto guardião do Master Emerald em Angel Island, que logo se uniu a Sonic e Tails para enfrentar Robotnik e destruir a imponente Death Egg.

Ao conectar Sonic 3 com Sonic & Knuckles, os jogadores puderam experimentar o jogo como originalmente imaginado, dando origem ao conceito icônico de Sonic 3 & Knuckles. Essa integração permitia, inclusive, jogar como Knuckles em Sonic 2 quando o cartucho do jogo era encaixado na parte superior do de Sonic & Knuckles.

Outro título curioso desse período foi Sonic X-Treme, um jogo cancelado para o console Saturn, que vislumbrava Sonic em sua primeira aventura totalmente em 3D com uma câmera de efeito olho-de-peixe, criando uma sensação de movimentação dinâmica ao redor do personagem.

Sonic CD: Um Título Fenomenal Ignorado no Lançamento

De fato, é um dos melhores

Curiosamente, Sonic CD não é considerado o terceiro jogo principal da série. Lançado para a nova extensão de hardware da Sega, o Sega CD, no final de 1992, o jogo foi concebido para demonstrar o potencial desse sistema. Inicialmente planejado como um port do primeiro Sonic, o co-criador Naoto Ohshima decidiu destacar os recursos do Sega CD, transformando o título em uma experiência muito maior.

Com cenas cinemáticas totalmente animadas produzidas pelo Studio Junio e um enredo baseado em viagem no tempo – ideia que havia sido descartada para Sonic 2 –, Sonic CD oferecia níveis que apresentavam versões passadas e futuras, incentivando os jogadores a explorar e descobrir cada detalhe. Ohshima revelou que a ênfase estava em criar ambientes maiores e mais imersivos, priorizando a exploração em detrimento da velocidade.

Os Títulos Portáteis do Sonic Levavam a Diversão do Ouriço Azul para Qualquer Lugar

Porém, voar com asa-delta ainda é um desafio

Sonic acumulou treze títulos no Game Gear, sendo que dez deles têm o ouriço azul como protagonista. Entre eles, destacam-se tanto remakes em 8 bits de suas aventuras nos consoles quanto diversas inovações e conteúdos originais. Sonic the Hedgehog, desenvolvido pela Ancient – empresa fundada pelo lendário Yuzo Koshiro – provou que até mesmo as menores aventuras do personagem mereciam ser vivenciadas.

TítuloAno de Lançamento
Sonic the Hedgehog1991
Sonic the Hedgehog 21992
Sonic Chaos1993
Dr. Robotnik’s Mean Bean Machine1993
Sonic Triple Trouble1994
Sonic Spinball1994
Sonic Drift1994
Sonic Drift 21995
Sonic 2 In 11995
Tails’ Adventure1995
Tails’s Skypatrol1995
Sonic Labyrinth1995
Sonic Blast1996
Sonic the Hedgehog Pocket Adventure (Neo Geo Pocket Color)1999

Knuckles Chaotix

Outro título que surgiu de uma espécie de demonstração técnica foi lançado para o 32X em 1995. Knuckles Chaotix é um jogo singular por diversos motivos: não tem Sonic como protagonista, foi idealizado a partir do projeto “Sonic Crackers” – que mostrava a ideia de dois personagens conectados por um anel – e marcou a estreia da Team Chaotix, composta por Vector the Gator, Espio the Chameleon, Mighty the Armadillo e Charmy Bee.

Sonic the Fighters

Em meados dos anos 90, Sonic também passou por uma experiência em um gênero completamente diferente. Sonic the Fighters, lançado em 1996, marcou a primeira aparição do ouriço em um jogo de luta e em 3D total. Foi nessa ocasião que Bark the Polar Bear e Bean the Dynamite fizeram suas estreias. A ideia surgiu de forma inusitada quando um designer da Sega AM2 decidiu inserir Sonic e Tails em outro jogo de luta da empresa. Apesar de não alcançar o mesmo patamar de clássicos do gênero, o título acabou se tornando um ponto de discussão entre os fãs.

Sonic R

Sega também aventurou Sonic no gênero de corrida ao solicitar à Traveler’s Tales a criação de um jogo que misturasse corrida e plataforma. Embora o entusiasmo inicial tenha sido grande, problemas no desenvolvimento fizeram com que Sonic R contasse com apenas cinco pistas e não consolidasse a qualidade esperada para um título Sonic. No entanto, dele surgiu “Super Sonic Racing”, mantendo viva a chama da inovação mesmo em meio às dificuldades.

O Fim dos Anos 90 Também Marcou o Declínio da Sega

Mas Sonic Sobreviveu e Continua a Prosperar

No final dos anos 90, ficou claro que a Sega enfrentava sérias dificuldades. Dispersa em diversas plataformas de hardware ao mesmo tempo, a empresa investiu todas as suas energias em seu último console, o Dreamcast. Apesar do potencial do pequeno console, o lançamento do PlayStation 2 pela Sony em 2000 acabou selando o destino da Sega.

Mesmo assim, o Dreamcast presenteou os fãs com dois dos títulos Sonic mais icônicos de todos os tempos: Sonic Adventure 1 e 2. Quando lançados, esses jogos impressionaram ao mostrar Sonic correndo por praias imaculadas, com águas azuis cintilantes ao fundo, e momentos inesquecíveis, como o caos provocado por uma baleia em Sonic Adventure 2, que também apresentou personagens marcantes como Shadow the Hedgehog e Rouge the Bat.

Embora a jornada dos anos 90 tenha sido repleta de altos e baixos, uma coisa ficou certa: Sonic sempre esteve no centro da revolução dos videogames, definindo o ritmo e a identidade de uma era. Exceto por Sonic Shuffle, que certamente deixou sua marca controversa, o ouriço azul continua firme e forte.

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