George Clooney elogiou Todos os Homens do Presidente como “um filme perfeito

O filme que desafiou as regras do suspense

All the President’s Men é um modelo para a narrativa jornalística

No entanto, o filme vencedor do Oscar prospera a partir desse mesmo desafio. All the President’s Men foca na árdua, frustrante e perigosa trajetória dos dois repórteres, Bob Woodward e Carl Bernstein, que trouxeram a verdade à tona. Ele confere toneladas de autenticidade e credibilidade ao período controverso ao adaptar um livro escrito pelos próprios Woodward e Bernstein. Mantendo-se fiel ao material original, a versão de Pakula reconstrói a investigação, fazendo o público sentir o peso e o perigo de cada pequena descoberta, como se fosse a primeira vez. Mesmo com um desfecho conhecido, o filme consegue entregar uma revelação fresca e eletrizante, mostrando como se contar uma história que todos já conhecem.

Robert Redford e Dustin Hoffman em All the President's Men

A admiração de George Clooney por All the President’s Men está profundamente enraizada em sua própria filosofia cinematográfica. Como diretor de filmes como Good Night, and Good Luck e The Ides of March, Clooney sempre demonstrou uma fascinação pela narrativa jornalística, pela tensão política e pelo meticuloso trabalho de desvendar a verdade. Seu estilo direto, que valoriza o realismo e a contenção em detrimento do espetáculo chamativo, torna o filme de Pakula em um modelo perfeito.

“A razão de ser um filme perfeito é que você começa assistindo já sabendo como ele termina… Há momentos em que Robert Redford vai encontrar o ‘Deep Throat’ e sabemos que ele não será morto, pois os personagens não morrem. Mas você fica nervoso por ele o tempo todo.”

Esse efeito de manter um mistério e suspense, mesmo sem haver de fato mistério, foi alcançado ao mostrar a rotina corriqueira e desgastante do jornalismo. O suspense não vem de perseguições de carro, mas do lento e, muitas vezes, agonizante processo de realizar ligações que não levam a lugar nenhum, ter portas batendo na sua cara e tentar montar uma grande conspiração a partir de fragmentos minúsculos e contraditórios de informações.

O diretor Alan J. Pakula e o roteirista William Goldman fazem o público sentir o peso de cada pequena vitória e a frustração de cada contratempo. Enquanto muitos thrillers modernos dependem de ação constante e reviravoltas para manter o espectador engajado, All the President’s Men aposta na confiança de que o público compreenda que os verdadeiros riscos estão escondidos nos bastidores da investigação, a qual levou Woodward e Bernstein à verdade.

Robert Redford, que interpretou Woodward no filme, foi fundamental para trazer o livro para as telas, pois enxergou na história algo além de uma mera conspiração intrigante. Em entrevista à AARP em 2013, ele compartilhou sua fascinação pelo jornalismo como profissão, explicando que essa paixão foi responsável por um dos maiores momentos de sua carreira. Ele afirmou: “O grande momento para mim foi fazer All the President’s Men. Não se tratava de Watergate ou do presidente Nixon. Eu queria focar em algo que, na minha visão, poucos conheciam: como os jornalistas conseguem uma história?”

O filme constrói tensão com uma abordagem realista

Repórteres reunidos em All The President's Men

A abordagem direta do filme é demonstrada nas atuações de seus dois protagonistas, Robert Redford como Bob Woodward e Dustin Hoffman como Carl Bernstein. Em vez de serem transformados em heróis que salvam o dia com suas habilidades investigativas, eles são mostrados como repórteres cansados, obsessivos e, por vezes, rabugentos, totalmente absorvidos pelo trabalho.

Esse estilo simples também se reflete na forma como o filme foi capturado pelo lendário diretor de fotografia Gordon Willis. O universo visual do filme é dividido em dois: de um lado, a redação do Washington Post, reconstruída em detalhes para o longa, é um ambiente bem iluminado e praticamente sem sombras, onde os fatos e a atividade constante se combinam; do outro, o mundo secreto da conspiração, que se oculta em profundos tons de escuridão.

As célebres cenas no estacionamento com o informante “Deep Throat” exemplificam essa dualidade. Filmadas com iluminação mínima, essas sequências forçam o espectador a se aproximar e captar os segredos sussurrados nas sombras, enquanto a luz só surge quando Deep Throat entra em cena, revelando lentamente seu rosto ao repórter e ao público.

“O que se descobre sobre os repórteres investigativos é que eles são obcecados por conseguir uma história, e é isso que os mantém vivos. Essa obsessão é parte da fascinação do filme. Por isso, mesmo sabendo as respostas, ficamos impressionados com o suspense que o filme constrói.”

All the President’s Men é um modelo para o cinema investigativo

Dustin Hoffman e Robert Redford em All the President's Men

All the President’s Men foi um daqueles filmes que serviram como um retrato perfeito dos anos 1970, mas também se mantém atemporal, com uma história que parece cada vez mais relevante. O filme apresenta um jornalismo meticuloso, baseado em fatos, que relembra o papel fundamental que uma imprensa livre deve desempenhar em uma democracia. Revela que descobrir a verdade não é algo glamouroso, mas sim um trabalho lento, difícil e, muitas vezes, ingrato.

All the President’s Men é, sem dúvida, um jornalismo de espírito elevado. Trata-se da história de um repórter determinado a conseguir a história a qualquer custo, mesmo sendo novo no jornalismo investigativo. Tudo se resumia à sua obsessão por conhecer a verdade.”

Essa abordagem, que mostra o processo frustrante e meticuloso de desvendar uma história, estabeleceu um gênero por si só. Diversos filmes modernos, como Spotlight e She Said, seguem essa estética, encontrando seu drama não em grandes cenas de ação, mas na dedicação dos repórteres que montam uma verdade difícil, muitas vezes envolvendo figuras influentes.

Ao revisitar a admiração de George Clooney por All the President’s Men, fica evidente o que torna o filme tão especial. Sua perfeição está enraizada no respeito pelo tema e pelo público, lembrando-nos que um grande filme nem sempre se destaca pelo que faz, mas pelo que escolhe não fazer. Ele apresenta, de maneira clara e honesta, a premissa de dois jornalistas trabalhando na maior história de suas carreiras.

Pôster de All the President's Men

Data de lançamento: 9 de abril de 1976

Duração: 138 minutos

Diretor: Alan J. Pakula

Roteirista: William Goldman

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