Boardwalk Empire: A obra-prima negligenciada da HBO com 92% no Rotten Tomatoes

A drama policial da HBO com 92% no Rotten Tomatoes é uma rara série 10/10

Boardwalk Empire está com 92% no Rotten Tomatoes – e merece cada ponto. A versão de Atlantic City apresentada na série é decadente, perigosa e vivida no limite de um colapso iminente. Cenários exuberantes, explosões repentinas de violência e jogadas políticas de longo prazo marcam a narrativa do começo ao fim.

Mesmo assim, Boardwalk Empire nunca teve o mesmo destaque que suas produções irmãs da HBO. É o tipo de série que merece uma segunda análise justamente por ter passado despercebida.

Boardwalk Empire é um drama criminal perfeito do início ao fim

O piloto não perde tempo em estabelecer o patamar – Scorsese traz seu habitual movimento de câmera fluida por clubes lotados pouco antes de uma explosão violenta e abrupta. A surpresa não é que o primeiro episódio lembre um filme; é que a série mantém essa energia por cinco temporadas completas, consolidando-se como um dos melhores dramas de gangsters de todos os tempos.

A ascensão de Enoch “Nucky” Thompson é hipnotizante, mas cada avanço tem seu custo. A trama entrelaça traições familiares, mudanças políticas e alianças criminosas, fazendo com que cada subtrama tenha sua importância. Nada parece supérfluo, e nada fica em aberto.

Richard Harrow (Jack Huston) e Chalky White (Michael K. Williams) demonstram a profundidade do elenco. O atirador mascarado de Harrow é um dos retratos mais comoventes do trauma de guerra na TV, enquanto a trajetória de Chalky – desde os bastidores de clubes segregados até se tornar um poder influente – revela a ambição, a sobrevivência e a lenta corrosão que a vida implacável pode causar.

Quando as mortes mais tristes dos personagens acontecem e a série chega ao fim, tudo parece inevitável. O desfecho retoma as ideias semeadas desde o início, encerrando a saga de Nucky com uma finalização que poucos dramas criminais conseguem alcançar.

Boardwalk Empire foi amplamente elogiado pela sua representação de figuras históricas reais

Um dos maiores trunfos da série é a forma como mistura a ficção com fatos reais. O personagem de Nucky, interpretado por Buscemi, é inspirado no verdadeiro chefe político de Atlantic City, Enoch Johnson, e os criminosos que o cercam dariam forma ao século XX. Al Capone, Lucky Luciano, Meyer Lansky – todos começaram sua trajetória nesse universo, e suas histórias se desenrolam em paralelo com a de Nucky.

Stephen Graham, em seu papel de Al Capone, rouba a cena em quase cada aparição. Inicialmente impulsivo e volátil, esse criminoso de rua sedento por reconhecimento evolui a cada temporada, tornando-se o infame chefe pelo qual a história o lembra.

Ao entrelaçar essas figuras na história pessoal de Nucky, Boardwalk Empire entrega uma saga criminal que se sente ao mesmo tempo íntima e grandiosa.

Boardwalk Empire merece ser mais icônico do que é

Apesar do aclamação, Boardwalk Empire nunca atingiu os picos culturais de Game of Thrones ou Breaking Bad. A série foi ao ar na mesma época, competindo pelo mesmo espaço nas conversas do dia a dia, mas ficou à sombra dos dragões e dos impérios das metanfetaminas. Mesmo a atuação premiada de Buscemi como Nucky não entregou à HBO um anti-herói icônico como Tony Soprano.

Mas, uma década depois, a obra se destaca como uma das joias da rede. Alguns personagens recebem encerramentos dignos, enquanto outros poderiam ter tido finais melhores – contudo, a qualidade da narrativa permanece intacta, e o fato de a série terminar com um propósito único a torna ainda mais valiosa em meio a tantos finais interrompidos ou mal executados.

Para quem procura a próxima grande maratona, Boardwalk Empire está no topo da lista. É raro encontrar uma série com tamanha grandiosidade, comprometida com seus personagens e audaciosa na forma de contar sua história.

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